Em meio aos milhares Fora Temer vindo das plenária, a abertura do X Congresso de Agroecologia iniciou com uma mística repleta de emoção envolvendo os participantes, entorno de 4 mil pessoas vindas de todos os rincões do Brasil e também, delegações internacionais. Durante a mística de aberta os Movimento Sociais ocuparam o palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília e afirmam que a Agroecologia tem um lado, tem sujeito e ela é fundamental para a sobrevivência da vida na Terra.

“A caminha até aqui foi longa, mas não foi de quilômetros, foi longa porque é uma caminhada de gerações. Nós não estamos aqui somente por nós, mas porquê acreditamos que as gerações que ainda virão, e virão, tem o direito de viver com qualidade, dignidade e soberania. A agroecologia tem a função revolucionária de cuidar do nosso planeta que está enfermo, doente, mas que ainda existe possibilidade e ainda existe a necessidade dele se curar e continuar a viver e produzir. Estamos aqui, porquê a Agroecologia tem sujeito, tem gente, porquê a Agroecologia tem lado, porquê a Agroecologia tem cheiro, a cor e o sabor da Terra, porquê a Agroecologia tem o cheiro, a cor e o suor do trabalhador e da trabalhadora. Estamos aqui, porquê pela vida na Terra necessitamos de Agroecologia”, explica Bruno Pilon durante a mística de abertura do evento, enquanto dos Movimentos Sociais e organizações do Campo Unitário ocupavam o palco do evento.

Mariane Carvalho Vidal, pesquisadora da Embrapa falou em nome da Comissão Organizadora do Congresso, “aquele setembro de 2017 chegou, aquela semana do Cerrado, ela chegou!”. Segundo ela “a Agroecologia, ela é poema. É poema porquê ela fala de amor, por que ela fala de entrega. Muitos falam que Agroecologia, aqueles da Agroecologia, são apaixonados e poucos científicos militam mais do que fazem e provam. Somos assim, apaixonados pelo que fazemos”.

O X Congresso de Agroecologia recebeu mais de 2500 trabalhos para serem apresentados, o que mostra que a Agroecologia é real, gera frutos, resultados, revela experiências. Recebeu mais de 160 filmes que retratam as histórias de superação e Agroecologia, não só do Brasil mas também do mundo todo, revelando o que a Agroecologia faz e transforma por esses países à fora. Também, são mais de 80 experiências de todos os Biomas brasileiros representados nas Bancas da Feira Agroecológica e da Solidariedade. “Visitem, apreciem, cheiram, comam, vivam, celebrem os resultados da Agroecologia”, sugere Mariane.

Clara Nicholls, da Sociedade Científica Latino-americana de Agroecologia (SOCLA) destaca que o propósito comum deste X Congresso de Agroecologia: “fortalecer a Agroecologia e o Bem Viver na América Latina”. Ela aponta ainda que é urgente a necessidade de uma transformação do Sistema Agroalimentar dominante, para fortalecer o bem estar dos sistemas econômicos, sociais, tecnológicos e culturais da imensa maioria que promove a agricultura campesina, é preciso desmontar a Agricultura Industrial e o poder político das multinacionais que muitas vezes atuam em conivência com nossos governos”, denuncia Nicholls.

Ela ainda destaca a resistência dos movimentos sociais camponeses e indígenas, o papel da mulher na Agroecologia, bem como, a Agricultora Campesina e Indígena na produção de alimentos agroecológicos e na conservação ambiental e cultural por um “bem viver”. “Não há dúvida que, como uma Ciência, a Agroecologia expande seus resultados com interessantes processos de inovação cognitiva, tecnológica e sociopolítica”, afirma Clara.

A representante da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), Irene Maria Cardoso, afirma que “no Brasil entendemos que a Agroecologia como Ciência, Movimento e Prática, e, são os movimentos sociais os motores para a transformação dos Sistemas Agroalimentares e esses sistemas serão transformados com nosso saberes, com a nossas memórias, e precisamos dessa transformação para que consigamos chegar ao bem viver, não só na América Latina mas em todos os cantos desse planeta”. Apesar do Congresso ser protagonizado pelas organizações que compõe o CBA 2017, Irene afirma que a partir desse momento, este evento é de todos os participantes e ele precisa ser desfrutado.

Por sua vez, Nívia Regina, representante da Via Campesina e Campo Unitário, destaca o sentimento de resistência e luta pelos povos do campo, das floretas e das águas que tem sofrido violações dos direitos. “Esperamos, quanto movimentos do Campo Unitário que esse Congresso de Agroecologia possa simbolizar que a Agroecologia é algo de prática social, de ciência, de luta e resistência para uma outra sociedade, trazendo para cá o sentimento de todos os povos que estão na construção prática da Agroecologia no dia a dia”.

Nívia reforça a importância do sujeito político da Agroecologia, do sujeito político que é a Agricultura Familiar Camponesa, um sujeito político que tem trazido o conhecimento como resultado da prática social cotidiana, é um processo na qual trazemos nessa atualidade que a questão ambiental, a questão ecológica ela traz condições da existência desse seres camponeses e comunidades tradicionais. “A questão ecológica na atualidade determina a continuidade ou a interrupção das condições da reprodução da social da existência da Classe Trabalhadora e de todo Campesinato, nós entendemos que a Agroecologia cumpre um papel estrutural, ela cumpre um papel estratégico na luta, pois contribui na permanência dos povo camponeses, indígenas e quilombolas no processo de reprodução social da vida humana, e por isso que nós do Campo Unitário compreendemos a importância da nossa unidade camponesa nesse momento histórico, porque nós compreendemos que a Agroecologia é em defesa da vida, da produção de alimentos saudáveis, mas também, é um processo de elevação de consciência de toda a sociedade, uma consciência política que faz uma contribuição nesse momento histórico da Aliança dos povos do campo e da cidade”.

Considerado o maior evento de Agroecologia em número de participantes e trabalhos técnico-científicos, o Congresso reúne os setores da sociedade brasileira e da América Latina que atuam e desenvolvem a Agroecologia como pesquisadores acadêmicos e populares; extensionistas; gestores de políticas públicas das três esferas; agricultores familiares, camponeses, povos e comunidades tradicionais; Movimentos Sociais, ONGs, Redes e Fóruns de Agroecologia, entre outros. Promove uma ampla discussão, com troca de experiências, saberes e sabores, apresentação de trabalhos científicos e encaminhamentos que contribuem para o direcionamento estratégico destes setores.

O Congresso de Agroecologia 2017 é a realização simultânea do VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, X Congresso Brasileiro de Agroecologia e V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno. Os eventos são promovidos pela Sociedade Científica Latino-americana de Agroecologia (SOCLA) e Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) e organizados em Brasília por uma comissão formada por representantes da Embrapa, Universidade de Brasília, Emater-DF, Secretarias de Estado do GDF (Seagri e Sedestmidh), IBRAM e ISPN. Conta com o apoio de vários ministérios, organizações e movimentos sociais. O evento é patrocinado por BNDES, Itaipu Binacional e Fundação Banco do Brasil. Acompanhe as novidades www.agroecologia2017.com e nos perfis do facebook e instagram.

Por Adilvane Spezia / Campo Unitário